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Fitoterapia

Em tempos remotos os sábios prescreviam sopas, líquidos, borra de vinho, vinho doce e remédios, mas a ênfase ia especialmente para a preparação. Assim, nos tempos antigos essas sopas e esses remédios líquidos eram preparados, mas não eram ingeridos como medicamentos.
Nos tempos medievos, quando a moralidade declinou, tais remédios passaram a ser tomados quando as influências maléficas surgiam e os seus resultados eram muito eficazes. (Huangdi – Imperador Amarelo)

A Fitoterapia é uma das mais importante modalidades terapêuticas da Medicina Tradicional Chinesa. É o tratamento dos desequilíbrios energéticos do organismo através do uso de ingredientes de origem vegetal, mineral e animal. No Brasil, a Anvisa só autoriza a utilização de medicamentos fitoterápicos fabricados com ervas, plantas, flores, frutos, sementes, cascas e raízes.

Os registros da prática da Fitoterapia na China datam de aproximadamente três mil anos atrás, época em que os livros eram escritos em pergaminhos, cascos de tartaruga e seda. As informações contidas nesses registos mais antigos não fazem referência somente às plantas, registram também os nomes de doenças, orações e outros métodos de cura. É necessários, assim, compreender que a Medicina Tradicional Chinesa  é  uma ciência fundada na experiência empírica acumulada, cujos métodos e eficácia tem sido comprovados no mundo contemporâneo por investigações científicas.

Princípios da Fitoterapia Chinesa

A Medicina Tradicional Chinesa parte de alguns princípios para classificar as ervas chinesas que emprega em seus medicamentos:

  • propriedades térmicas:quentes, mornas, frescas e frias, podendo ainda falar-se de uma quinta propriedade, a neutra;

  • os cinco sabores: azedo (ácido), amargo, doce, picante e salgado, teoria elaborada por Chou Li em 770-476 a.C.;

  • os Meridianos;

  • os princípios complementares Yin/Yang;

  • as quatro direções: ascendente, descendente, circulante (flutuante) e submersão. Sistema de classificação geralmente atribuído a Li Tung 1180-1251 d.C.

As ervas com propriedades mornas ou quentes são Yang em natureza. Elas dispersam o vento e o frio interno, aquecem o Baço e o Estômago, reabastecem o Yang, possuem ações estimulantes e fortalecedoras. Ervas dessa natureza incluem o acônito, o gengibre seco, a canela e tratam várias doenças do frio.

As drogas com propriedades frescas ou frias tais como: coptis, scutellaria, gypsum e gardénia são Yin em natureza. Elas removem o calor, aliviam a inflamação patogênica, acalmam os nervos devido à sua ação inibidora, servindo também como antibióticos, sedativos e antiflogísticos para doenças febris.

Os cinco sabores também têm funções próprias e específicas. Geralmente as plantas de sabor picante exercem efeitos de dispersão e promoção; as de sabor doce de tonificação e regulação; as de sabor amargo efeitos fortalecedores e purgantes; as de sabor azedo efeitos adstringentes e as de sabor salgado efeitos suavizantes e purgantes. As ervas picantes como gengibre fresco, perilla e menta dispersam elementos patogênicos externos.

As ervas doces são tônicas e lenitivas; o ginseng nutre o Qi e o alcaçus alivia a dor. As ervas amargas tais como coptis e melão amargo têm a ação de secar a humidade e são purgantes. As ervas azedas amolecem, fortificam e humidecem. Ervas suaves, sem sabor, tais como Hoelen e Akebia, são diuréticas.

Ascendência, descendência, circulação e submersão representam outras quatro qualidades adicionais usadas para classificar as plantas (ervas). Ascendentes e circulantes referem-se a drogas que têm um efeito para cima e para fora, usadas para ativar o Yang, induzir a transpiração e dispersar o frio e o vento.

Em contraste, drogas descendentes e de submersão, possuem um efeito para baixo e para dentro – elas tranquilizam, causam contração, aliviam tosse, interrompem a êmese e promovem a diurese e purgação.

Os efeitos dos medicamentos fitoterápicos variam dependendo da constituição do sujeito, da circulação do Qi e do sangue e da forma como as doenças se manifestam externamente.

Uma fórmula fitoterápica chinesa pode englobar seis ou mais plantas e cada uma delas com objetivos bem definidos como tonificação de órgãos, desestagnação de energia, eliminação de agentes patogênicos, entre outros. O tratamento fitoterápico não busca a cura mas o equilíbrio da circulação da energia (Qi) no organismo. 

Para se fazer uma fórmula fitoterápica chinesa é preciso conhecer as capacidades energéticas, curativas e sinérgicas das ervas, ou seja, a interação de uma planta com as outras. Na formulação Chinesa existem: 1) uma Erva Imperador, que vai determinar a ação da fórmula; 2) as Ervas Ministros, que ajudam a pontencializar a ação do Imperador; 3) as Ervas Assistentes, que são necessárias para o bem-estar da pessoa e cuidam do estômago para que este receba a fórmula e 4) as Ervas Mensageiras,que levam as ervas para o local necessário.

Muitas ervas são proibidas durante a gravidez, pois elas podem causar o aborto. Não faça, de maneira alguma, a automedicação. A prescrição de um medicamento fitoterápico deve ser feita por um(a) médico(a), após avaliação.

Como é prescrita a Fitoterapia Chinesa?

A prescrição do tratamento adequado para cada pessoa depende de um diagnóstico rigoroso realizado por um(a) especialista que possa avaliar o pulso, a língua, a aparência do indivíduo, seus odores, cores, secreções, hábitos alimentares, estado emocional, histórico médico. Só após a avaliação do paciente é o que o(a) médico(a) vai prescrever o tratamento fitoterápico, acompanhado ou não de outras terapias. As prescrições são sempre individualizadas.

Fitoterapia brasileira

Das 250 mil plantas catalogadas no mundo, 55 mil estão no Brasil e, assim como na China, a partir da observação e da experiência, nossa sociedade, desde os povos indígenas, utiliza plantas no tratamento de diversas enfermidades. Nosso povo mantém e preserva suas tradições e manifestações culturais, conjugando-as com as exigências do mundo contemporâneo e com os avanços científicos.

​Há uma certa similaridade entre a Medicina Tradicional Chinesa e a Medicina Popular Brasileira. Quando aqui em nossa sociedade recomendamos que as pessoas que estão nervosas tomem “água com açúcar”, a Medicina Chinesa recomenda o sabor doce para suavizar o fluxo do Qi e acalmar a pessoa.

Ha inúmeras pesquisas brasileiras que aliam os fundamentos da FitoterapiaChinesa para a produção de medicamentos fitoterápicos produzidos com ervas brasileiras. Desde 2007, o Ministério da Saúde aprova o uso da Fitoterapia Brasileira no SUS.

O Projeto Mandala cultiva suas próprias ervas em mandalas, de forma orgânica e sustentável para a produção de medicamentos fitoterápicos. O Laboratório Fito de Fato, em fase de implementação, produzirá estes medicamentos, que estarão registrados e aprovados conforme a legislação brasileira.

Escrito por: Monica Cruvinel